A arte da tecelagem

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Três irmãos seguiram para o deserto a fim de aprender com Zamir a arte da tecelagem.

Zamir vivia solitário, mas seu trabalho era conhecido em todos os continentes. Sua arte, nascida do silêncio e da solidão, trazia aos homens bálsamos de elevação e cura.

Mesmo sabendo que Zamir nunca havia aceitado um discípulo, os três decidiram ir em busca de tão prodigioso mestre.

Chegando à porta da sua morada, o mais velho disse:

– Ó Grande Mestre, muitos dias e muitas noites viajamos para aprender convosco a arte da tecelagem. Podeis receber-nos?

Lá de dentro ouviu-se a voz de Zamir:

– Pergunto-vos, pois, o que vos faz querer aprender esse ofício?

Feliz por suas palavras terem chegado a Zamir, o mais velho dos irmãos apressou-se em responder:

– Quero retratar nos tecidos a beleza das manhãs e o brilho das estrelas, e levar aos homens a glória que na Natureza se estampa.

Já o segundo irmão assim expressou suas aspirações:

– Zamir, quero tecer vestes de guerreiros e de sacerdotes, de governantes e de sábios, para que possam cumprir suas tarefas com maior glória e esplendor.

Como não vinha uma terceira resposta, pois o irmão mais jovem permanecia em silêncio, Zamir indagou:

– E o terceiro de vós, por que veio até Zamir?

E o mais jovem então respondeu:

– Em verdade, Senhor, vim para saudá-lo. Nada busco para mim. Sei que onde for colocado pelas sábias mãos da Vida, ali será meu campo de serviço e de labor. Seguirei viagem de volta, pois vosso tempo não quero tomar. Vim até vós porque sabia que tinha de fazê-lo, e ofereço-vos minha humilde saudação.

Zamir falou aos três:

– Que voltem o primeiro e o segundo. Muito ainda terão de aprender da vida para que possam expressar a verdadeira arte de tecer. Mas ao terceiro eu digo: a porta desta casa está aberta. Entrai, pois já conheceis as primeiras lições dessa arte: o esquecimento de si, a entrega e o serviço. Vinde, pois a vós será revelado o segredo da justa tensão dos fios e da correta mescla de cores, a vós será desvelado o mistério do Grande Tear.

Extraído do livro “Viagens por Mundos Sutis” – Trigueirinho
Editora Pensamento
Págs. 117 e 118

2017-09-14T17:43:45+00:00