A lei do desapego

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A lei do desapego traz maleabilidade à vida formal e aumenta sua receptividade à energia anímica. Por meio de sucessivos desligamentos do que já foi alcançado, os seres conseguem exprimir a realidade que lhes corresponde. É uma das leis da ascese, pois, para avançar nessa senda, o homem nada deve levar consigo. Entretanto, poucos podem viver livres e desapegados. A maioria teme a isenção das cadeias materiais às quais se acostumou. O novo assusta-a, e por isso ela o afasta, ainda que esteja próximo e ao alcance de todos.

À medida que se caminha na trilha espiritual, o trabalho do desapego toma conotações mais profundas e faz-se necessário para dissolver os vínculos humanos do caminhante. A renúncia é própria das pessoas boas e altruístas, mas o desapego é atitude mais profunda. Quem renuncia continua envolvido com o objeto da renúncia, enquanto o que se desapega faz como os apóstolos de Jesus, que, ao serem chamados, deixaram os barcos para trás. Como disse um grande santo do passado, “cortaram o laço que os prendia ao barco e não se distraíram tentando desatá-lo”. Portanto, a lei do desapego evita retrocessos na evolução de um ser.

Extraído do livro “A tragetória do fogo” – Trigueirinho
Editora Pensamento
Pág. 135

2017-09-14T17:46:32+00:00