A quietude que contém todas as respostas

Home/Textos/A quietude que contém todas as respostas

Entardecia quando chegou ao antigo mosteiro um grupo de sete jovens aspirantes, vindos das terras de Eicon.

Foram recebidos por um idoso monge que os acolheu no pátio interno. O primeiro jovem perguntou:

– Ó mestre, quando poderemos ter Deus no coração?

O monge lhe disse:

– Quando não tiverdes bagagens para carregar.

0 segundo jovem perguntou:

– Qual é, senhor, o destino dos homens?

O monge respondeu:

– Quando o fogo queima, a luz se une à claridade dos tempos, a fumaça se espalha pelos ares e as cinzas ficam no chão da terra.

Sem compreender totalmente aquela resposta, o terceiro jovem fez uma pergunta esperando ter mais clareza sobre o que fora dito:

– E quando poderemos, senhor, não mais pertencer a esta Terra?

O monge respondeu:

– Quando não mais necessitardes do alimento que ela vos oferece. Enquanto dele vos nutrirdes tereis vossa vida controlada como os negócios do mundo: recebereis conforme o crédito que tiverdes. Novos tempos virão; porém, precisareis de ter as vestes adequadas para neles ingressar.

O quarto jovem perguntou:

– Senhor, que vestes são essas?

E o monge então esclareceu:

– Trazeis em vosso interior a nota que vos corresponde, mas para que possa ser ouvida terá que se transformar em som. Também a humanidade como um todo tem a sua nota. A nota da humanidade, nos diferentes períodos, determina uma Raça, cujas vestes são os padrões de conduta e consciência que ela expressa.

Como humanidade, viveis uma fase de intensa transformação; a nota que trazeis eleva-se em escala, e o som que passareis a emitir será mais sutil. Hostes de consciências supremas, de anjos e de seres elementais tecem essa nova vestidura que ireis receber.

A cada etapa a nota desvela-se em uma escala, mas a qualidade que está no centro dessa escala e que a criou somente a podereis contatar quando fordes integrados no vazio e no que vos é totalmente desconhecido.

O sol escondia-se no horizonte, deixando sete rastros luminosos que cortavam o lusco-fusco das cores do firmamento. A vibração do mosteiro convidava ao recolhimento, mas o quinto jovem dirigiu-se ao velho monge, dizendo:

– Não pude compreender, senhor, o que são essas notas.

O monge disse:

– Assim como o sol, que agora não vedes, mostra-vos sete de seus raios, também no universo sete são os caminhos para se chegar à Fonte. Cada um deles determina uma nota, uma Hierarquia e um aspecto do Supremo manifestado na criação.

O sexto jovem perguntou:

– Como podemos chegar a conhecer a essência desses caminhos?

O ancião respondeu-lhe:

– Do mesmo modo que não podeis conhecer a Deus em sua plenitude, mas apenas pelos aspectos que Ele manifesta, não podeis abarcar a essência completa dessas notas, desses caminhos. Por muitos meios podereis acercar-vos deles, e descobrireis o vosso quando o amor pelo silêncio superar o desejo de saber.

Tendo permanecido todo o tempo calado, o sétimo jovem aproximou-se da quietude que contém todas as respostas e, assim, nada tinha a indagar.

Extraído do livro “Viagens por Mundos Sutis” – Trigueirinho
Editora Pensamento
Págs. 125 a 127

2017-09-14T17:43:15+00:00